quinta-feira, 18 de março de 2010

Um conto no canto do pranto.

No meu mundo, onde existe só eu, os criminosos nunca ficam impunes!

Tão frágil e com medo, toma o último gole do veneno que lhe foi concedido.
Em sua última batalha interna, rasga seus sentimentos mais profundos, e em uma jogada errónea pega o telefone e tenta dar a cartada final, com o propósito de acabar de vez com aquela dor terrível que assombra sua garganta.
Do outro lado, ele atende, cheio de flechas na voz, flechas que dançam como valsa, como tango na direção do palco do seu coração. Em ritmo de balada, vai se debatendo com as palavras que não pertencem ao homem pelo qual se apaixonou, jaz aqui o seu amor. Ele é outro, menos piedoso e mais concreto, talvez assim esteja finalmente feliz.
Mergulhou no pranto vazio de seu peito, soluçou seus medos, seus sentimentos, rasgou a pele, sangrou e deixou vazar toda sua dor.Nada adiantou.
A flor, já seca, não deseja mais misericórdia, bate o telefone na cara do lindo anjo, lindo anjo que ela perdeu.
Ao derramar uma bacia, demasiada grande, de lágrimas, entra em grande depressão: queima os pés, amarra as mãos, suspira venenos, caminha dentro da alucinação:
- Menina má, menina ruin, tem que morrer, morrer, morrer... - diz, rindo e cantarolando, abaixando o tom de voz a medida que a frase acabava.
Engana-se com remédios, assopra sua própria flor. Se engasga tentando tirar toda fruta, fruto, todo o alimento que lhe deixa de pé. Perde o ar, perde a força, perde a compaixão por si.
Se joga na cama feito faca de ponta afiada, tenta tossir todo o amor de dentro do seu peito, não consegue parar de chorar, não consegue parar de engasgar, não consegue parar de sentir que precisa amar, parar de amar quem a tempos já lhe deixou.
Sim, ela não está impune, está presa em seu cárcere privado, o cárcere do seu coração, o cárcere que a própria construiu e que ele não teve jeito de impedir, você não teve jeito de demolir, agora perdeu, seu mundo perfeito morreu, sua história acabou.


Isabella Teixeira

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